segunda-feira, dezembro 17, 2007

Last Christmas

Faço tempo para mais uns minutos de terapia e não havendo mais para fazer nem tão pouco com quem conversarpego na minha silenciosa companhia e atento nos meus pensamentos transpondo-os em (sempre) insuficientes palavras.
O Natal está quase aí e este é mais um ano onde o sinto distante, apesar da proximidade e identificação que tenho por esta altura. Adoro-a por ser também uma (suposta) altura de (mais) amor. Também percebo, e ao longo dos anos é efectivamente o que confirmo, que cada vez mais "Natal" é só um nome, uma oportunidade para passear por cidades iluminadas e juntar uns sacos que transportam algumas lembranças - sim porque tempos houve em que era possível fazer-se uma trca de prendas com os mais próximos, e até com os mais distantes... Whatever!
Recordo com alguma nostalgia os tempos em que o meu Natal era uma festa! Em que passava o mês anterior ao de Dezembro ansiosa pelo dia em que o meu pai chegava a casa com um pinheiro e eu passava o feriado de dia 8 a decorar uma árvore, com os enfeites que duravam de ano para ano. O presépio nunca foi muito o meu forte, mesmo com a minha mãe sentada ao meu lado explicando-me ser o Natal o nascimento de Jesus.
Era uma alegria, meus pais, avós tios, o Daniel pequenito ainda com mais ansia que eu :) Chegada a meia noite já lá estavamos os dois, debaixo do iluminado pinheiro, junto à lareira dos meus avós, preparadissimos a desembrulhar algumas das coisas que ficavamos à espera durante um ano inteiro!
Sempre soube que o pai natal nunca existiu, recordo nunca ter acreditado que seria possível um homem tão gordo descer pela minha chaminé!! No entanto, todosos anos "lhe" escrevia uma carta com a minha listagem e os desejos para os "meninos que não têm nada". Fui educada assim e a minh pura ingenuidade levava-me a acreditar num mundo melhor, aquele mundo onde não existe miséria, desigualdade, e todos temos as mesmas oportunidades... Já nessa altura só queria ser feliz. Devia ter ai uns 9 anos.
Sabia também que o destinatário das minhas cartas viviam lá em casa, de maneira que também eles não seriam capazes de, sozinhos mudar o mundo à sua volta, muito menos encher todos os meninos do mundo com aquilo que nos davam a nós... Mas fazia-me bem lembrar-me de toda a gente naquela altura, naquela noite, afinal de contas, sempre fui uma felizarda por ter tanto...

Bem, está na altura de ir, falar de mim, tratar de mim =)
E pronto, hoje deu-me pra isto!!! Deve ser da nostalgia tipica... =))


beijos